Oficinas do Intendente, de Teresa Ribeiro

Tem por título Oficinas do Intendente e a sua autora é Teresa Ribeiro. É também o resultado das Narrativas Fotográficas do Intendente com um projeto que a autora diz ter tratado com dedicação durante vários meses e que resultou numa exposição e num livro.

Neste trabalho a autora percorreu diversas oficinas na zona do Intendente, em vias de encerramento ou em processo de adaptação, numa época de crise, antes e depois da pandemia. São olhares intimistas que mostram a importância documental e humana destes espaços e das pessoas que lhes dão vida. O resultado é um livro equilibrado, bem pensado graficamente, que é apresentado num vídeo de Arlindo Pinto, cujo link aqui deixamos.

A propósito deste trabalho a autora escreve que “as oficinas retratadas são, provavelmente, as últimas a sobreviver aos irreversíveis avanços tecnológicos, à forte competição de mercado trazida pelas muitas empresas que foram aparecendo na periferia, e aos serviços oferecidos por grupos de marca. Também sobreviveram às várias crises económicas ao longo das últimas seis décadas e, mais recentemente, aos efeitos de uma inesperada pandemia global.

Os trabalhadores com quem conversei dedicaram toda a vida ao aprimoramento do seu ofício, sempre no sentido de encontrar novas soluções e adaptando as suas técnicas às necessidades dos clientes. Homens que são criadores de engenhos e engenhocas que tantas vezes se assemelham a verdadeiras peças de arte, dignas de museu.

Nas oficinas maiores encontrei equipas que empregaram até vinte trabalhadores: mecânicos, bate-chapas, pintores, lavadores, gasolineiros, guardas nocturnos, fora os aprendizes e os ajudantes.

Em muitas ocasiões, especialmente em tempos idos, as oficinas ocuparam um lugar especial no apoio à comunidade residente no velho bairro. “Socorriam-se pessoas e a oficina era a salvação de muitos” – alguém me disse. Muitos moradores depositavam as suas chaves de casa num grande chaveiro que ficava à guarda da oficina, num gesto de total confiança bairrista. Contam que alguns ainda hoje vêm buscar água em jerricans, saindo daqui agradecidos e de sorriso aberto.

Agora já não se respira o ar poluído dos escapes, nem se aspira o aroma do óleo quente. Os tempos mudaram muito. Para alguns o trabalho foi-se tornando escasso e várias das oficinas são agora garagens para fazer a recolhas de táxis, carrinhas ou tuk-tuks eléctricos.

Os trabalhadores destas oficinas são homens algo esquivos, quase sempre ocupados nas suas tarefas e inúmeros compromissos. Mas, nos dias melhores e menos agitados, dispõem-se a partilhar velhas memórias e gostam de contar as suas histórias. Histórias das suas oficinas que são também as histórias das suas vidas.

Haja quem as escute”.

Pode ver o vídeo aqui.

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