Em 2021

Estamos nos derradeiros dias de 2020.  Todos os anos fazemos um balanço do ano que termina e perspetivamos o ano que se aproxima e este ano não fugimos a isso. O balanço não é uma questão de ritual, mas antes de melhor gerir enquanto entidade e de fator motivacional para fazer mais e melhor.

Para a APAF, como para muitos de nós, é um ano estranho. Será talvez a mesma sensação que muitas empresas e associações dos mais diversos fins sentem. O receio da pandemia leva-nos a ficar em casa, a contactar menos e a alterar hábitos, alguns perigosamente redutores, mas principalmente a encontrar inesperadas dificuldades de gestão pela impossibilidade de planear em prazos mais alargados.

Na realidade este foi o ano em que encontramos maiores dificuldades em planear a prazo. Anunciar um curso ou um workshop com um mês de antecedência tornou-se algo de impensável face à evolução da pandemia ou às limitações à circulação. Os nossos cursos de fim de semana, a estrutura central dos nossos planos de formação, sofreram com a imprevisibilidade apenas compensada com a compreensão dos nossos alunos. O Curso Avançado de 2019/2020 sofreu um adiamento a partir de março passado o que fez com que o seu final passasse de abril para setembro, e o Curso de 2020/2021 já não termina em abril conforme previsto, mas prolongar-se-á até data ainda a determinar. Claro que as opções possíveis não eram alternativa: colocar em risco a saúde de alunos e monitores ou transformar aulas predominantemente práticas em situações on-line. Felizmente os resultados da formação, nomeadamente alguns projetos produzidos motivaram-nos sempre nas opções que tomámos.

Para 2021 a APAF prevê criar uma alternativa de formação on-line. Moderamos o nosso entusiasmo nesta alternativa. É interessante para atingir novos públicos, aumenta a versatilidade e comunicabilidade da APAF e permite encarar a formação de uma forma mais completa. É, principalmente mais exigente. A formação on-line é mais rígida na medida em que não nos permite encarar uma aula alterando o seu conteúdo a partir de uma proposta de um aluno, feita minutos antes, ou ter a interação que uma aula presencial possui. Não nos permite estar atentos à expressão corporal de um aluno ou ao desafio motivacional que cada aula implica. Mas permite chegar a um público em que de outra forma não faria um curso ou um workshop, por limitações de tempo, geográficas ou outras, e permite uma nova relação com as tecnologias de comunicação. Não se pense que é mais fácil, muito pelo contrário, para professores e para alunos.

Quer isto dizer que haverá lugar para uma opção presencial e outra on-line. Mas antes há que desmistificar uma questão, deveras importante. A formação on-line implica uma organização de bastidores complexa e trabalhosa, especialmente no plano da construção de conteúdos, longe dos vulgares power-points mais ou menos sofisticados. Implica uma abordagem menos pessoalizada com base num denominador comum e principalmente não é, como frequentemente se vê, passar metodologias, ritmos e conteúdos do presencial para on-line apenas porque como intermediários se usa um computador e uma plataforma continuando a dar aulas da mesma forma.

É este o nosso desafio para 2021. Um bom 2021 para todos.

António Lopes

Esta entrada foi publicada em Formação APAF, Notícias, Opinião. ligação permanente.