Coleções de arte do Estado: nada é simples

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Capa do catálogo 1839-1989 Um ano depois

Nestes dias tem feito furor a questão do desaparecimento de um número significativo de obras de arte adquiridas pelo Estado, no qual se integram 18 imagens pertencentes à Coleção Nacional de Fotografia. Não é nada que já não se soubesse, o que é estranho é que apesar de tal se saber há vários anos, nada se ter feito. Parabéns à atual ministra da Cultura que teve a coragem de abordar este (secreto) assunto e o trazer a debate. Resta pensar o que fazer.

Tudo começou (agora) com a Coleção de Arte do Estado, da qual não se encontram 94 obras. Durante anos emprestaram-se obras dessa coleção para exposições ou para decoração de salas e gabinetes. E se é verdade que isso em teoria não é negativo, a verdade é que deveriam ser acauteladas condições de preservação e de localização. Pelos vistos não foi, e até admito que algumas estejam ainda perdidas em salas fechadas, como se de trastes velhos se tratasse, equiparadas a secretárias, arquivos, armários ou cadeiras.

No último inventário que permitiu localizar muitas obras, não foi incluída a Coleção SEC, uma coleção de fotografia organizada por Jorge Calado e da qual existiu uma exposição denominada 1989-1990 Um ano depois. São fotografias icónicas da História da Fotografia mundial, algumas delas verdadeiras preciosidades. As fotografias desaparecidas que deviam estar em depósito no Centro Português de Fotografia, representam a incúria com que durante anos foi tratada esta coleção. Argumenta-se agora que não se conhecem exatamente quais são essas obras e alguns até referem a novidade do assunto. Nada mais falso. Se quisermos abordar o assunto do desaparecimento podemos remontar a 2011 e a alguns artigos publicados na imprensa e na internet. O que não parece ter sido é feito nada. Veja-se aqui com data de 23 de junho de 2011. Por outro lado, se  quisermos conhecer quais as obras que se encontram no CPF podemos aceder aqui, e por último se quisermos conhecer melhor as obras em causa, sempre podemos consultar o catálogo, que já está na secção das raridades, mas que ainda se encontra. O que será preciso é fazer alguma coisa.  António Lopes  

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