Instantes decisivos, em Cascais

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No Centro Cultural de Cascais, até 14 de julho, pode ver Instantes decisivos, um conjunto de fotografias icónicas de grandes fotógrafos. Esta é uma daquelas exposições em que temos uma sensação contraditória: por um lado é uma exposição desequilibrada, assumidamente baseada no gosto pessoal de um colecionador, por outro lado estamos perante imagens que fazem parte da história da fotografia. Ali, abrindo a exposição com uma bela prova vintage de Alfred Stieglitz, temos muitos dos melhores fotógrafos do século XX, como Man Ray, Robert Doisneau, Alfred Stieglitz, Cristina Garcia Rodero, Carlos Saura, Elliot Erwit, Alberto Korda, Berenice Abbott ou  Cartier-Bresson. As imagens pertencem à “Colleción Himalaya”, do colecionador Julián Castilla.

Com diferentes formas de apresentação, com diferenças significativas na tiragem das provas e com pouco a uni-las, a não ser serem grandes fotografias no panorama fotográfico, ignorando outros “instantes decisivos” contemporâneos, mesmo do século XX, a visita a esta exposição justifica-se pelo facto de as “vermos ao vivo” em vez de as encontrarmos na internet ou nas páginas de um livro. O que significa que a seleção e curadoria poderia ter seguido outros critérios, se calhar tão válidos quanto estes, mas que sublinhassem as virtualidades das obras e do conjunto. Poderá, no entanto, ser uma exposição pedagógica se devidamente enquadrada em termos de visitas guiadas. Isto porque tanto podemos estar em frente a uma produção picturalista como nos depararmo-nos com uma imagem influenciada pelo surrealismo e será preciso enquadrá-las em termos de História de Arte e de História da Fotografia. Especial referência para o lado documental da fotografia de Augustin Centelles, um fotógrafo menos conhecido, cujas imagens da Guerra Civil espanhola se impõem pela sua importância histórica e fotográfica.

Com um texto no desdobrável algo frágil, não deixamos de achar útil a visita a esta exposição, mas longe das exposições de excelência que a Fundação D. Luís nos habituou. António Lopes

 

 

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