João Onofre na Culturgest, em Lisboa

Captura de tela 2019-01-14 às 22.29.11

Imagem do vídeo Vox, HD, 10’30”, 2015, de João Onofre. Numa falésia, alguém (neste caso o músico Norberto Lobo) interpreta uma composição (Eu amo) em guitarra elétrica, debaixo de um guarda-sol à beira do promontório. A progressiva agitação do guarda-sol parece porvir do vento à beira da falésia mas, ao longo do filme, compreendemos que é o próprio mecanismo utilizado para a filmagem(realizada a partir de um helicóptero) que provoca a alteração do objeto filmado. Ao mesmo tempo o espectador é confrontado com o mecanismo inerente ao seu próprio ponto de vista e do qual se torna cúmplice.

 

Na Culturgest está Once in a lifetime (Repeat) de João Onofre (Lisboa, 1976). Com uma atividade artística repartida entre o desenho, a escultura, a fotografia, a performance eas obras sonoras, ainda que o trabalhos de vídeo seja o mais representativo, João Onofre não deixa de cruzar estas múltiplas facetas, deixando sempre ao espetador a porta aberta para imaginar cada momento segundo outra linguagem artística.

Once in a Lifetime [Repeat] foca-se nas produções dos últimos 15 anos, mas passa por todas as facetas do trabalho do artista, incluindo uma obra nova, concebida especificamente para esta apresentação: Untitled (zoetrope).

Sobre trabalho do autor, disz-nos a folha de sala que “várias tónicas sobressaem no seu trabalho: um interesse pela arte conceptual das décadas de 1960 e 1970, com alusões diretas a obras específicas de artistas que lhe são referenciais; a importância da circularidade e da repetição como processo criativo, fundamental nas peças videográficas mas também nos desenhos; a omnipresença da ideia de finitude, de falta, de fracasso e de erro inerentes à vida e, consequentemente, à criação artística; a circulação entre referências eruditas e culturas populares urbanas, apropriadas em simultâneo com humor e empatia”.

A música é uma presença fundamental, assumindo-se como veículo de um existencialismo geracional a par com uma ironia romantica que nos faz refletir sobre os momentos comuns da nossa existência. A Direção de Produção é de Mário Valente, a Produção de Fernando Teixeira e a Curadoria de Delfim Sardo. Até 19 de maio.

 

 

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