Graça Fonseca, a nova ministra da Cultura

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A Cultura tem um novo rosto com a remodelação governamental efetuada este fim de semana. Graça Fonseca vai ser a nova ministra da Cultura, substituindo Luís Filipe Castro Mendes, de quem alguns há dias diziam não ter qualidades para o cargo e hoje lhe reconhecerem competência. A vida política é assim.

Castro Mendes teve azar. Puseram-lhe a casca de banana à frente no caso dos concursos da Direção Geral das Artes e ele não teve arte ou engenho para evitar a casca. A sua imagem foi desgastada por sucessivas limitações orçamenatais, mas também pela pressão dos mais variados grupos. Ainda há dias um conjunto de artistas protestou (e bem) contra o atual estado das artes plásticas, ignorando o ministro e preferindo dialogar diretamente com o Primeiro-Ministro. O resultado foi a promessa da constituição de um fundo para aquisições de arte portuguesa contemporânea. São importantes tais aquisições, diria até fundamentais, para o estimulo à produção e para a compensação pela criação. Mas é tudo?

Não basta atirar com dinheiro para cima do problema. Poderemos ter uma linda coleção nos nossos museus, mas simultaneamente os nossos artistas continuarem a ser ignorados nos circuitos internacionais de arte, fechando-nos ainda mais sobre nós próprios. Mais do que aquisições precisávamos de apoiar curadores (nacionais e estrangeiros) que integrem os nossos artistas nos circuitos internacionais de arte de forma a torná-los conhecidos, valorizados e os façam vender. Mas este é apenas um dos trabalhos hercúleos que esperam a nova ministra, o de contrariar as fragilidades do nosso mercado da arte, conferindo-lhe transparência e garantia de futuro, a que se juntam a dinamização do tecido cultural nas suas múltiplas vertentes, mudar alguns paradigmas de que enferma o nosso fechado meio artístico, dar atenção aos museus e ao património, olhar para a atividade do Centro Português de Fotografia, equacionar a nova lei do Cinema, repensar o mecenato, e tantas outras tarefas,… com pouco dinheiro e sem ceder a grupos de pressão. Pelo meio fica ainda uma lei que visava a autonomia de gestão dos museus, que tem de precaver a vida dos que têm menos público ou são menos mediáticos, mas que permitam decidir a vida de um museu, incluindo exposições, projetos de investigação ou segurança sem passar por uma enorme teia burocrática que tudo faz parar. Não é uma tarefa fácil. Por isso, outros antes dela soçobraram. António Lopes

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