Em Braga, a celebração da fotografia

anne sophie guillet

Fotografia Anne Sophie Guillet / Encontros da Imagem

Na próxima sexta feira tem início mais uma edição, a 28ª, dos Encontros da Imagem, que reúnem cerca de 40 exposições que se apresentam ao público até 28 de outubro, não apenas em Braga, mas estendendo-se a Guimarães, Porto e Barcelos.

De entre os trabalhos apresentados poderíamos destacar, no Edifício do castelo, Inner Self de Anne-Sophie Guillet (Oxford, 1989), que nos remete para um olhar moderno no retrato, que fala da nossa sociedade e das expetativas que temos, ou do que entendemos ser o papel de cada um em matéria de género e de comportamentos. A autora questiona estas ideias criando retratos de homens e mulheres cujas identidades escapam às normas. Sobre o seu trabalho, diz-nos Anne-Sophie Guillet, que “tenta mostrar que existem várias formas de viver as nossas vidas como seres humanos”. Trabalhando em médio formato, filme e com luz natural, os seus protagonistas posam dentro de um espaço interior com um fundo neutro. Tirados de frente, os seus retratos parecem cobertos de um profundo silêncio, mas que nos levam a questionar a construção da identidade.

katerina tsakiri

Fotografia katherine Tsakiri / Encontros da Imagem

Também no Edifício do Castelo Katerina Tsakiri (Atenas, 1991) apresenta A Simple Place, um conjunto de auto-retratos onde a encenação corre a par com a propositada simplicidade e onde se podem levantar questões de mudança/permanência numa dicotomia tensa “onde tudo muda e ao mesmo tempo permanece igual”, segundo a autora.

ana galan

Fotografia Ana Galan / Encontros da Imagem

Também referencia para Ana Galan com Viv(r)e La Vie, série fotográfica “in process”, de casais de perfil com uma paisagem rural com fundo, que presta homenagem às pessoas que celebram a vida, continuando a viver “o momento”. Representa casais que se encontram para dançar. As fotografias dão visibilidade a casais de uma certa idade, num projeto iniciado em Espanha, em 2010, e continuado até hoje em várias partes do mundo.

Em suma, Braga apresenta-nos um conjunto de propostas fotográficas onde predomina uma fotografia contemporânea, de olhar moderno, se assim podemos admitir essa caracterização repetida, onde se pode refletir sobre a imagem e o seu significado, onde apesar da diversidade das propostas podemos ver presentes harmonia, sensibilidade e beleza, ou não fosse o tema dos Encontros “O belo e a consolação”, em trabalhos onde a base é um conceito consciente, refletido, assumido fotograficamente e não fruto de um acaso técnico ou de qualquer ligeireza decorrente dos tempos acelerados em que vivemos.

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