Robert Mapplethorpe em Serralves

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Fotografia Robert Mapplethorpe, Auto Retrato, 1983, Robert Mapplethorpe Foundation

O suplemento Ípsilon do jornal Público tem hoje um interessante artigo de João Marmeleira a propósito da exposição que no próximo dia 20, pelas 22 horas, inaugura em Serralves e dedicada à obra de Robert Mapplethorpe (Nova Iorque, 1946 – Boston, 1989).

Mapplethorpe foi autor de algumas das imagens mais icónicas, polémicas e surpreendentes da fotografia contemporânea. A exposição, Robert Mapplethorpe: Pictures, é organizada pelo Museu de Arte Contemporânea de Serralves em colaboração com Robert Mapplethorpe Foundation, reúne 179 obras da carreira do artista e é comissariada por João Ribas. Presentes estão obras que vão das primeiras colagens e polaroides até às fotografias de flores, nus e retratos, em imagens que revelam um apurado sentido de composição, inspirado pela pintura e pela escultura clássica, mas onde o sexo, a provocação e a tensão estão presentes, constituindo-se como uma abordagem inovadora na fotografia do século XX. Seguindo uma ordem cronológica, a exposição irá ficar patente ao público até 6 de janeiro do próximo ano, e APAF irá efetuar uma visita de estudo a esta exposição, em data a definir.

Diz-nos o texto de apresentação da exposição que “antes de escolher a fotografia como meio, Mapplethorpe estudou pintura e escultura em Nova Iorque e foi influenciado pela arte de Joseph Cornell e Marcel Duchamp, mas também pela fotografia do século XIX de Julia Margaret Cameron e outros, de que se tornaria um ávido colecionador. As suas primeiras colagens, assemblagens e fotografias (estas inicialmente realizadas com uma câmara Polaroid) revelam o interesse crescente na sexualidade e na composição — ângulos retos, formas geométricas de luz — que viria a definir a sua obra matura. Trabalhando a partir de 1975 com uma câmara Hasselblad totalmente manual, cujo visor enquadrava o mundo num quadrado, Mapplethorpe começa a recorrer a exposições longas e composições metodicamente dispostas e ordenadas no seu estúdio para criar retratos, nus e naturezas-mortas, cujos equilíbrio, ordem e conteúdo redefiniram a fotografia como forma artística. 

Mapplethorpe tratou todos os seus temas com igual atenção e precisão, desde órgãos sexuais ou arranjos de flores até aos retratos de amigos, amantes, celebridades e colaboradores, transformando a fotografia numa performance controlada entre o artista e o seu sujeito. Controverso e classicista, o interesse pioneiro de Mapplethorpe por sexo, género e raça reflete-se em imagens de corpos, prazer e desejo homossexuais e não heteronormativo e em fotografias suspensas na tensão — como acontece na totalidade da obra do artista — entre a intensidade emotiva e política dos seus conteúdos e a clareza da sua composição“.

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