Photo-Metragens de João Miguel Barros

Captura de tela 2018-08-23 às 17.14.22

O Museu Coleção Berardo, em Lisboa, expõe ao público até ao próximo fim de semana  o projecto fotográfico Photo-Metragens, de João Miguel Barros.

O que aqui se mostra consiste num conjunto de imagens agrupadas em 14 pequenas histórias, independentes entre si, revelando “múltiplas invisibilidades e insignificâncias que, constantemente, se atropelam à frente dos nossos olhos” como se pode ler no texto de apresentação da exposição, escrito pela mão de João Miguel Barros.

Ao abrirmos este livro imaginário de contos somos surpreendidos pelo olhar vagabundo do artista, que nos leva para diversos lugares, seja em Portugal, China, Tailândia ou França, dando-nos a conhecer várias curtas-metragens fotográficas, habilmente construídas sobre momentos simples, fugazes e outras tantas banalidades do nosso quotidiano.

João Miguel Barros tece cada história partindo dos seus registos fotográficos e procurando, através de uma pequena narrativa escrita que os acompanha e ficcionada a partir da realidade, transmitir um sentido à leitura desses registos. Longe de descrever e colocar um ponto final na história, este pequeno texto aumenta o impacto gerado pela observação das imagens que lhe estão associadas, soltando-nos a imaginação perante esses elementos e incutindo-nos o desejo para continuarmos, nós próprios, o conto criado pelo fotógrafo.

Os documentos do artista, todos a preto e branco, em alguns casos com fortes contrastes, densos negros ou brancos intensos totalmente desprovidos de detalhes, onde o minimalismo se faz sentir, enquadram paisagens naturais e urbanas, lugares e eventos. Pormenores, por vezes complexos e que nos podem passar despercebidos nas nossas vidas apressadas, são revelados à nossa contemplação. O retrato está presente de uma forma intensa no final, quer pelo suporte expositivo utilizado, quer pela expressividade captada em cada rosto, fechando estas “short stories” de uma maneira assaz enriquecedora pela singela homenagem às figuras retratadas.

O olhar que João Miguel Barros nos oferece é forte e esteticamente cativante, valendo-se não só da fotografia e da escrita como também do vídeo para a transmissão de sentimentos e emoções, desde o prazer contemplativo de uma paisagem à ansiedade provocada por uma caminhada arriscada.

A folha de sala, bilingue, apresenta-se clara e abrangente. O espaço físico da exposição permite uma boa leitura das obras, livre de qualquer interferência e com uma boa iluminação. Cada história tem um ritmo próprio que se diferencia pela dimensão das imagens, limitadas por molduras.

Este é um projecto fotográfico não terminado, sendo apenas o início de algo a que João Miguel Barros pretende dar continuidade no futuro, deixando junto do público uma marca significativa de qualidade e estimulando interesse por novos possíveis capítulos. Margarida Neves

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