A descentralização

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O jornal Público noticia hoje, em artigo da jornalista Cristina Ferreira, que o Estado tem 200 obras de arte do ex-BPN fechadas num cofre, com um valor de 3,5 milhões de euros. Depois da saga dos Miró, da qual muita coisa ficou por explicar e pela qual rolaram cabeças, fica-se agora a saber que as obras em relação às quais não venha a existir interesse poderão ser alienadas. Acho lógico, só convinha ser claro sobre os critérios desse interesse e da distribuição das obras no todo nacional. Agora que se fala tanto de descentralização era interessante colocar essas obras fora dos grandes centros de Lisboa, Porto ou Coimbra. Não que essas cidades não o mereçam, mas era interessante que pudessem ser vistas por outros cidadãos, que proporcionassem um olhar mais culto e mais abrangente a crianças e adolescentes de outros pontos do país, que permitissem que mais cidadãos portugueses usufruíssem delas.

Não sou contra a construção de rotundas, pavilhões ou piscinas pelos autarcas deste país. Sou é contra o facto de durante intermináveis anos andarmos a discutir obras e… quando elas se constroem, já haver poucos portugueses nesses locais para usufruírem delas. Vejam os anos de discussão em torno Alqueva, para afinal concluirmos que era útil ao Alentejo, ou sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, para agora concluirmos que o atual está esgotado, bem mais cedo do que alguns previam. Falar da descentralização é também abrir novos horizontes, culturais inclusivé, e que falta fariam as obras de Amadeu de Souza Cardoso, Paula Rego, Helena Almeida, Ana Vidigal, Carlos Calvet, António Sena, José Pedro Croft e muitos outros a muitas cidades. Será que no Algarve não haveria espaço para parte destas obras, potenciando o afluxo turístico e tornando-o em bem mais que sol e praia? Será que no Minho ou na Beira interior não poderiam ser mostradas tirando partido de uma colaboração transfronteiriça? Será que as escolas públicas do interior não têm direito a usufruírem destes bens, tendo os seus alunos de se deslocarem aos grandes centros. A bem de abrir as mentes à novidade, à diferença e à cultura. Isso sim, era descentralização. António Lopes

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