Continua a contestação na Cultura

Captura de tela 2018-04-04 às 17.26.56

O dinheiro é importante, … mas não é tudo!

O Primeiro-Ministro António Costa anunciou um novo reforço na dotação dos concursos do apoio às artes mas que, mesmo assim, não permitiu acalmar o setor. Se é certo que todos os serviços públicos vêm conhecido limitações, se é verdade que o oposição está a usar a Cultura como arma de arremesso quando no tempo em que governou fez muito pior, se sabemos da existência de grupos de pressão mediáticos ou ainda se é insustentável uma cultura de irmos subindo os orçamentos dos apoios ano após ano até se tornarem impossíveis de conceder e ditar o fim das iniciativas com consequentes culpas, também é verdade que a Cultura tem sido sistematicamente suborçamentada, com atrasos nos pagamentos que causam dificuldades gritantes e dramas de sobrevivência continuados, processos burocráticos de candidatura no domínio do imaginário e por fim um sistema de tapa-buracos, de resolver problemas em vez de os antecipar.

Se a isto tudo pudéssemos juntar a estabilidade e a paz de espírito era fantástico. Um criador, seja encenador, escritor, ator, pintor, ou qualquer outro só tem capacidade de criar se tiver paz de espírito e não estiver preocupado com o dia seguinte. É verdade que a história não pode permitir uma garantia de apoio já que os promotores não vivem sempre num crescendo de criatividade e qualidade e há novos agentes a entrar no meio. Mas há que fazer um apelo ao bom senso e reconhecer o contributo que muitos dos agentes culturais têm dado ao longo dos anos. Alguns dos agora preteridos têm um historial de referência que é importante não apagar num ato burocrático com consequências culturais e humanas, tal como aqui escrevemos há dias.

Já não falo de se ouvir pouco sobre os apoios às artes visuais. Já me esqueço que algumas iniciativas e entidades, que vão de Festivais de teatro a orquestras, são cartazes de bem estar social e de fruição que ultrapassam os meros acontecimentos em si e que são geradores de consequências cívicas na educação, na tolerância, na liberdade de pensamento. Do que falo é de uma ideia para a Cultura. De pensarmos a Cultura enquanto desígnio nacional, ricos que somos sob o ponto de vista cultural e patrimonial. A questão orçamental é importante, mas gostava também de ver o atual Ministro da Cultura motivar a reflexão sobre grandes objetivos para a Cultura em Portugal. Enfim, que esta se tornasse no centro das preocupações do governo. A bem da cidadania. A bem de todos nós! António Lopes, presidente da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Opinião. ligação permanente.