Primeira Luz, de Alípio Padilha

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Fotografia Alípio Padilha

Na Apaixonarte, situada na Rua Poiais de S. Bento 57, em Lisboa, está patente ao público até 31 de Março, a exposição Primeira Luz do fotógrafo Alípio Padilha.

O artista que, recorde-se, começou a sua atividade como fotógrafo de teatro e de espetáculos, propõe-se retratar o momento do amanhecer, mostrando-nos a primeira luz do dia, original e sempre diferente, nos lugares que fazem parte das paisagens que acompanham o seu dia-a-dia. Alípio Padilha, cujos contatos com a imagem começaram bem jovem, fez formação em fotografia na APAF – Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, vindo na década de 90, como o próprio assinala numa entrevista recente, a assumir uma “viragem decisiva” quando Coimbra foi Capital do Teatro. Acompanhou o festival e a formação da companhia Escola da Noite, participou em ensaios e chegou aos espetáculos de música com Sérgio Godinho no Teatro Maria Matos.

O conceito deste projecto de Alípio Padilha, directo e objectivo, não incute dúvidas nem provoca interrogações sobre a mensagem que nos pretende transmitir. As imagens aqui expostas, onde a figura humana se encontra ausente, levam-nos numa simples e aprazível contemplação de ambientes diversos, capazes de nos arrebatar e proporcionar sentimentos de serenidade, quietude e bem-estar. “Gosto do ritmo da manhã e da forma como me sinto ligado àquelas coisas” disse o fotógrafo na entrevista a Filipa Penteado, e isso sente-se a cada imagem que se observa.

As cores predominantes, vários tons de azul, revelam-nos um acordar do dia solitário e silencioso nos locais por onde o fotógrafo passa, quer seja em Penacova onde nasceu, na Madeira onde viveu ou em Lisboa e arredores por onde deambula. Os registos denotam uma certa nostalgia da noite que termina, envolvendo-nos no seu ar misterioso como se de um filme se tratasse. O pequeno folheto que acompanha a exposição,  informa-nos de uma maneira clara e precisa, sobre a ideia implícita em todas as fotografias.

O espaço, expondo diversos produtos para venda, peca por distrair-nos a atenção, não nos proporcionando a melhor leitura das imagens em exibição nem garantindo as condições de luminosidade mais adequadas. Em compensação traz a arte até junto do público de uma forma aberta e descomplexada. Os registos, enquadrados em moldura, impõem algum ritmo na sua variação de tamanho, denunciando contudo as reduzidas dimensões da área onde se encontram.

Olhando para este pequeno conjunto de 11 documentos, estética e tecnicamente bem executado, desligamo-nos da realidade por escassos momentos e mergulhamos numa suave meditação, focando o nosso pensamento em paisagens a perder de vista. Margarida Neves

 

 

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