A preto&branco na Coleção da Fundação PLMJ

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Na Sociedade Nacional de Belas Artes está patente ao público a exposição A Preto & Branco na Colecção da Fundação PLMJ. Esta mostra, percorrendo várias décadas de produção artística nacional e dos países de língua portuguesa, apresenta-nos uma selecção de obras de 41 artistas da lusofonia, constituindo o preto e branco e a recente aquisição por parte da PLMJ, o elo de ligação entre as diversas peças aqui expostas.

A Fundação PLMJ – Advogados, SP, RL que protagoniza uma actividade regular na área do colecionismo em arte contemporânea, teve início no final dos anos sessenta como resultado da sociedade entre António Maria Pereira e Luís Sáragga Leal à qual se juntaram posteriormente Francisco de Oliveira Martins e José Miguel Júdice. Esta exposição, tendo como base a edição de um livro sob o mesmo título, em 2017, ano da comemoração de meio século de actividade da Fundação, insere-se num conjunto de iniciativas que têm vindo a ser promovidas ao longo dos anos pela mesma, para divulgação das artes plásticas em Portugal.

A fotografia, a presença dominante nesta coletiva, estabelece aqui e ali laços inesperados com outros suportes, como o desenho e o vídeo, complementando e alargando o universo captado pela máquina fotográfica. Os registos fotográficos, efectuados em diferentes zonas geográficas, traduzem-se em documentos, retratos, paisagens e narrativas que nos oferecem olhares sobre temas diversos como lugares, encontros, viagens, reflexões sobre a natureza humana ou universos imaginários.

A importância da fotografia documental e artística é assaz evidente neste espaço. Confrontamo-nos com trabalhos de autor de expressões distintas, onde as séries fotográficas assumem um papel de destaque na elaboração de narrativas, impelindo-nos a observar em profundidade e a reflectir sobre o que nos é dado a conhecer pelas imagens que se encontram diante dos nossos olhos.

Descobrimos influências do Surrealismo, tentamos deslindar o que se apresenta algo enigmático, revemos o uso de colagens e de recortes em obras de arte, reconhecemos o claro, escuro do efeito “low/high key”, enfim, apreciamos a riqueza conceptual, estética e técnica do colectivo de autores.

Uma folha de sala bilingue acompanha a exposição. Adequada e suficientemente informativa reflecte o texto introdutório com que nos deparamos no início.

O espaço expositivo é amplo, bem iluminado e não existem elementos que distraiam a nossa atenção do objectivo em questão. A organização dos registos permite uma boa leitura, seguindo um ritmo atraente com uma cadência variada, criando intervalos claros entre os diferentes autores. Imagens de diversos tamanhos e molduras impõem um movimento irregular, cativando o olhar ao longo do percurso escolhido pelo observador.

Os artistas representados nesta iniciativa são os seguintes: Albano Silva Pereira, Ana Telhado, Andrea Inocêncio, André Cepeda, André Romão, António Júlio Duarte, António Pedro Ferreira, António Sena da Silva, Augusto Brázio, Brígida Mendes, Bruno Sequeira, Carlos Guarita, Dalila Gonçalves, Daniel Barroca, Daniel Blaufuks, David Infante, Domingos Rego, Eurico Lino do Vale, Gérard Castello-Lopes, Graça Sarsfield, Inês Gonçalves, João Nora, João Penalva, Jorge Molder, José António Quintanilha, José Cabral, José Chambel, José Pedro Cortes, Julião Sarmento, Mafalda Marques Correia, Moira Forjaz, Noé Sendas, Paulo Catrica, Paulo Pascoal, Pedro Baptista, Rui Toscano, Susana Gaudêncio, Tito Mouraz, Valter Vinagre, Vasco Araújo e Vasco Barata.

Recorde-se que a Sociedade Nacional de Belas Artes se situa na Rua Barata Salgueiro 36, em Lisboa, com horário de funcionamento de segunda a sexta das 12 às 19 horas e aos sábados das 14 às 20 horas. A presente exposição decorre até 29 de Março. Margarida Neves

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