Ana, de Bruno Saavedra

ana

No Centro Cultural de Cascais, até 8 de abril, está patente ao público a exposição Ana, do fotógrafo Bruno Saavedra (Itamarajú, Bahia, Brasil, 1987). Em primeiro lugar destaque para o Centro Cultural de Cascais / Fundação D. Luís I pela sua decisão de abrir um novo ciclo dedicado a novos talentos.

Quanto à exposição Ana ela materializa o último trabalho de Bruno Saavedra, num exercício nada fácil, mas plenamente conseguido. A exposição é uma homenagem à mãe do artista plástico, ceramista e guitarrista Paulo Valentim e se algo nos marca, logo no início da exposição, é que não se trata de um somatório de imagens, mais ou menos bonitas, com maior ou menor intencionalidade estética, mas um conjunto de momentos, fortes e que traduzem sentimentos únicos, com uma sequência definida.

Não podemos ver esta exposição como vemos outras, presos às imagens. Aqui saltam à vista os sentimentos que elas traduzem, mas também os nossos, as empatias geradas, a identificação e os nossos valores. Não é uma tarefa fácil para qualquer fotógrafo captar os últimos momentos de alguém. Muito menos é quando queremos juntar-lhes a relação com um filho, o sentido dos objetos e de um espaço. Quando as imagens traduzem a dor de um momento, ou o silêncio que imaginamos estar presente naqueles espaços, naqueles gestos conseguimos a força, mas também o silêncio que elas revelam (a imagem da sala em contra luz, plena de sombras, por exemplo).

São imagens onde adivinhamos os momentos de tristeza ou de reflexão íntimos (a fotografia do filho, de costas à janela, ou sentado no sofá, ou conversando com Ana no seu leito, esta última com um olhar expressivo e único). Bruno Saavedra conseguiu o disparo no momento certo, no climax de um sentimento, de uma expressão, de um olhar. E isso é uma tarefa fotográfica notável. É a diferença entre uma grande imagem e uma fotografia vulgar.

A curadoria da exposição é de Valter Vinagre, que definindo uma ordem de apresentação não a faz de forma inócua, começando e acabando numa alusão à natureza e ao céu. Um pequeno catálogo acompanha a exposição, com um texto de Nuno Verdial Soares, que nos traça a história ali presente em breves e belas palavras. Numa frase o autor do texto resume a exposição e o sentimento ao escrever que “Ana é pois um olhar de carinho muito emocionado de um enorme amigo”. É o que sentimos ao ver aquelas imagens, provando que a fotografia é muito mais que uma execução técnica e fria, sendo principalmente uma forma de expressarmos o que sentimos num dado momento. António Lopes

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