De certos lugares o silêncio, de Luís Pereira

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Até ao próximo sábado está patente n’A Pequena Galeria, em Lisboa, De certos lugares o silêncio, exposição de Luís Pereira. Recorde-se que o horário d’A Pequena Galeria é de quinta e sexta feira das 18 às 20horas, e sábado das 15 às 20 horas.

Luís Pereira regista diversos espaços urbanos, exteriores e interiores, num percurso pela cidade em busca de equilíbrios e absurdos na ocupação e urbanização que fazemos do espaço natural que nos rodeia.

É simultaneamente uma chamada de atenção para as consequências no futuro da vida no nosso planeta, para a enorme responsabilidade e sensatez que devemos ter ao adaptar os solos que pisamos à nossa existência humana, privilegiando, frequentemente, interesses económicos e políticos em detrimento da conservação dos habitats de outras espécies ou, simplesmente, intervindo nesses solos sem qualquer critério. O fotógrafo mostra-nos que essa alteração do espaço não é exclusiva do meio natural, estendendo-se a uma qualquer cidade que habitemos, onde sofremos, a curto, médio ou a longo prazo, as consequências dessa mudança, na maioria das vezes em silêncio, sem a questionarmos, em conivência com as decisões tomadas por outros. Apesar disso, a recolha documental que o artista nos mostra não cria animosidade nem gera antipatia.

O silêncio destaca-se, desde logo, nas imagens aqui expostas. Detectamo-lo no peculiar enquadramento do espaço, nos tons tranquilos dos ambientes registados, no minimalismo de alguns documentos. Encontramo-lo presente mesmo em situações que sugerem movimento, agitação ou sons próprios de um aglomerado urbano, transmitido pelo olhar singular do artista, nas opções estéticas que toma.

A beleza e a poesia fazem parte das imagens de Luís Pereira, bem executadas tecnicamente, levando-nos num percurso de serenidade a observar o espaço à nossa volta, desde o solo que nos sustem até ao céu que nos envolve. Ao acompanharmos o fotógrafo, descobrimos o desajustamento e o absurdo em certos lugares e questionamos a constante transformação do espaço pelo Homem, numa busca incessante de satisfação das suas necessidades e dos seus anseios. Porém, o equilíbrio e o bem-estar evidenciam-se também noutros tantos registos, provando-nos que nem tudo tem um carácter negativo neste percurso.

A Pequena Galeria é, tal como o nome indica, um pequeno espaço para exposição. O fotógrafo impõe um certo ritmo na leitura da sua obra, aproximando imagens ou afastando-as, estabelecendo fronteiras bem definidas face ao espaço disponível, através da utilização de molduras de cor preta para enquadrar cada fotografia. Os trabalhos de maior dimensão parecem carecer, contudo, de uma maior área para uma leitura mais eficaz.

Um conjunto de documentos feito de detalhes, de interrogações contidas, que nos leva a reflectir sobre a adequabilidade das soluções que escolhemos, revelando a sensibilidade e a visão atenta e subtil de Luís Pereira. Margarida Neves

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