Luís Preto, com o portfólio Maciço Antigo, vencedor dos Novos Talentos FNAC

Captura de tela 2018-01-12 às 16.37.13

Fotografia Luís Preto

Luís Preto é o vencedor do Prémio Novos Talentos FNAC na área da fotografia. Uma distinção que destaca a “capacidade narrativa de excelência” do seu autor, nas palavras de Inês Condeço, diretora de comunicação da FNAC. Com o portfólio Maciço Antigo, o júri destacou o trabalho de reflexão e ao mesmo tempo “materializar a ligação do mundo rural português com aquilo que o envolve, acabando por criar uma narrativa conscientemente cuidada que acaba por revelar as gentes e os lugares isolados num Portugal que vive entre o frágil do presente e os poucos mas fortes alicerces do passado. Mário Cruz, presidente do júri, destaca ainda o facto de este trabalho nos transportar “para uma série sobre as marcas do tempo e sobre uma população arredada do mesmo. Retratos intimistas, arquiteturas desenhadas pelos anos que passaram, acompanhados por hábitos e costumes que venceram o desgaste, marcam um percurso de observação notável. A linguagem e a proximidade registadas suscitam a pergunta, criam a curiosidade, conseguem, portanto, incentivar o observador a procurar e saber mais sobre as caras e texturas que encontra nesta série de imagens. O retrato de uma mulher e do seu cabelo longo, sentada num banco de dimensões que fogem do esperado, com um olhar distinto mas natural, vai precisamente ao encontro do nosso imaginário e, naturalmente, ao que é o nosso sentido de identidade.

Não só o tempo foi amigo de Luis Preto porque possibilitou várias incursões a estas terras achadas entre montanhas como trouxe a minuciosa estrutura que está na génese de cada fotografia que compôs. Através do fio condutor a preto e branco somos naturalmente convidados a praticar o exercício de descoberta dos territórios que ligam o Minho e Trás-os-Montes. A força do tempo, uma questão tão premente em quem comunica através da imagem, é o que move, o que possibilitou e, ao mesmo tempo, o que eleva o trabalho fotográfico de Luis Preto. O exercício de procura foi intenso e reflete-se nos detalhes ao longo do conjunto de imagens. A nostalgia que se encontra não é a comum porque estamos a observar o presente, é através deste paradoxo que o autor consegue criar uma ligação valiosa. Aqui tudo o que nos remete para o passado pode ser encontrado hoje.

Se por um lado este trabalho nos remete para uma realidade parada no tempo, a verdade é que a mesma pode ser facilmente encontrada hoje no interior do país. Uma realidade que o autor, em entrevista ao P3 do Público, revela conhecer bem. Nascido em Trás-os-Montes, vivendo no Minho, Luís Preto é técnico florestal e geógrafo, o que o leva a conhecer a vida dura das populações do interior do país. Para a sua formação fotográfica muito contribuiu o Laboratório de Criação e Experimentação de Fotografia (CICLO), no Porto, sendo de destacar o olhar moderno e apaixonado que encerram algumas imagens, como a que encabeça este artigo.

Captura de tela 2018-01-12 às 16.37.37

Fotografia Luís Preto
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