Edgar Martins

Captura de tela 2017-07-19 às 15.36.10

Fotografia Edgar Martins

Edgar Martins é um dos distinguidos do prémio Magnum Photography Award/LensCulture. São 41 fotógrafos cujo trabalho mereceu uma referência especial do júri, oriundos de 24 países, sendo que Edgar Martins foi selecionado pelo curador independente Yumi Goto, com uma imagem do projeto Siloquios e Soliloquios, sobre a morte, a vida e outros interlúdios, apresentado no MAAT, em Lisboa, em 2016.

Deixamos aqui o texto de Sérgio Mah, curador desta exposição.

“Silóquios e Solilóquios sobre a Morte, a Vida e outros Interlúdios é o título do mais recente projeto de Edgar Martins. O projeto começou a estruturar-se no decurso de uma pesquisa no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), em Lisboa e Coimbra. Ao longo de três anos, Edgar Martins realizou mais de 1 000 fotografias e digitalizou mais de 3 000 negativos do vasto e extraordinário espólio do INMLCF. Uma parte significativa destas imagens representa provas forenses, nomeadamente armas e objetos usados em crimes e suicídios, mas também locais de crime, máscaras fúnebres, projéteis, cartas de suicidas e atividades inerentes ao trabalho do médico-legista. Porém, a par destas fotografias, Edgar Martins começou também a recuperar imagens do seu arquivo ou a produzir novas fotografias sobre outros assuntos, pensadas como contraponto visual, narrativo e conceptual.

Deste modo, o tema da morte é aqui explorado através de uma articulação produtiva entre registos documentais e factuais (vinculados a casos reais e cumprindo as exigências científicas e funcionais do INMLCF) e imagens que procuram incitar o potencial especulativo, ficcional e imaginário em torno do tema. Neste sentido, Silóquios e Solilóquios sobre a Morte, a Vida e outros Interlúdios é um trabalho que se propõe a perscrutar as tensões e as contradições inerentes à representação e imaginação da morte, em especial da morte violenta, e correlativamente sobre o papel decisivo (mas profundamente paradoxal) que a fotografia – nas suas implicações epistemológicas, estéticas e éticas – tem exercido na sua perceção e inteligibilidade.

Este trabalho marca igualmente uma transição significativa na trajetória criativa de Edgar Martins, depois de projetos anteriores nos quais sobressaía a homogeneidade formal e uma maior incidência de temáticas em torno da tecnologia, da arquitetura, da paisagem e da noção de lugar. Neste novo projeto inclui-se um conjunto mais vasto e diversificado de tipos e processos visuais – fotografias, apropriações, projeções, instalação, texto – assinalando uma crescente inclinação do artista por uma perspectiva mais híbrida e expandida da prática da fotografia e da experiência das imagens.

«Desde a sua invenção que a fotografia contribui decisivamente para consolidar a morte como tema visual, ou melhor, como um eixo intrincado de imagens, imaginações e imaginários, que atravessam vários domínios da ciência e da cultura. Esta constelação de imagens de Edgar Martins reforça não só a convicção de que as imagens fotográficas são produtos de um meio (técnico e cultural), mas também que a experiência de cada imagem fotográfica é igualmente um produto de nós próprios, do nosso corpo como um meio vivo de imagens.”

Para visualizar as imagens pode aceder a https://www.lensculture.com/2017-magnum-photography-award-winners

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