Un Certain Regard, a não perder, em Coimbra

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Desde o passado dia 29 que em Coimbra, no Centro de Artes Visuais, está patente a exposição Un Certain Regard – coleção Norlinda e José Lima. A curadoria é de Albano da Silva Pereira, nome incontornável da fotografia portuguesa, fotógrafo e organizador dos míticos Encontros de Fotografia, responsáveis em grande parte pelo “salto” e pela abertura que a fotografia portuguesa viveu nas duas últimas décadas do século XX.

Un Certain Regard apresenta uma selecção de obras de 32 artistas, entre os quais Alberto García-Alix, Andy Warhol, Cindy Sherman, João Louro, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, Joseph Beuys, Nan Goldin, Nobuyoshi Araki, Paulo Nozolino, Rui Toscano, Sophie Calle, Thomas Struth, Vanessa Beecroft e Vik Muniz. Composta por mais de 1000 obras, a coleção inclui ainda nomes como Ana Vieira, André Cepeda, André Príncipe, Candida Höfer, Edgar Martins, Eva Lootz, João Tabarra, Jorge Molder, Nuno Cera ou Júlia Ventura, entre muitos outros. A Colecção, que começou a ser delineada na década de 80 pelo industrial do calçado José Lima, a partir do seu gosto pessoal, caracteriza-se pela sua diversidade geográfica e amplitude cronológica, apesar de circunscrita aos séculos XX e XXI.

A partir de uma troca de ideias com Albano da Silva Pereira, Sérgio B. Gomes referia há dias, em artigo publicado no jornal Público, que a ideia destra exposição “é não só incentivar a reflexão em torno da fotografia contemporânea e da sua relação com outras artes, mas também desafiar “construtiva e criticamente” o próprio coleccionador e a forma como foi alargando o seu espólio ligado ao suporte fotográfico”. Na realidade esta exposição é construída a partir de uma coleção privada, uma característica pouco frequente no nosso panorama fotográfico.

Mas o que faz com que para vermos as obras expostas tenhamos de ir até Coimbra, se não formos residentes nesta cidade? Em primeiro lugar ver imagens fundamentais da fotografia contemporânea, seja ela portuguesa ou internacional. Responder-me-ão alguns que sim, mas que podem também vê-las em livros ou na internet. É verdade, mas apenas em parte. Quando podemos ver ao vivo imagens que estão numa cidade do centro do país, é uma falha grave não o fizermos. Nada substitui o ambiente criado por uma imagem ao vivo, ou a riqueza de tons, ou a profundidade e tridimensionalidade, ou mesmo as sensações mais íntimas que temos quando estamos perante uma imagem exposta, onde existiu uma preocupação com a escala, com a moldura ou não, com a existência de pass-partout ou não, com o rigor da impressão, só para lembrar alguns aspetos relevantes. Acresce que ali vemos autores “decisivos” na arte contemporânea mundial, cujos momentos de contemplação/reflexão face a uma imagem são fundamentais no processo de educação visual. Por isso é também de destacar a preocupação de José Lima de fazer chegar a sua colecção às pessoas, pensando no valor formativo que a arte pode ter na sociedade.

Para quem queira ler a entrevista no Público, pode fazê-lo em https://www.publico.pt/2017/05/02/culturaipsilon/noticia/uma-coleccao-de-fotografia-como-uma-aventura-de-amor-1770618 o que não exclui uma visita a Coimbra.

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