Aurélio Paz dos Reis

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Falar de Aurélio Paz dos Reis é falar de uma importante figura do Porto. Nascido nesta cidade em 1862 registou uma vida rica de afirmação de valores, de atos de cidadania e de auxílio aos mais necessitados. Comerciante, fotógrafo, foi também o introdutor do cinema em Portugal. Pouco tempo após os Lumière terem apresentado em Paris as primeiras imagens cinematográficas, Aurélio adquire naquela cidade um kinetógrafo de Bedts, máquina hoje existente no Museu da Cinemateca, em Lisboa, com a qual fará diversas curtas metragens em diversos locais do país e no Brasil. Constitui o Kinetógrafo Português, sociedade com fins comerciais com vista a explorar a projecção cinematográfica e assim, a 12 de Novembro de 1896 apresenta, numa sessão pública realizada no Teatro Príncipe Real, hoje Teatro Sá da Bandeira, um conjunto de pequenas projecções, nas quais se destacavam Jogo do Pau, Santo Tirso, O Zé Pereira na Romaria de Santo Tirso, chegada de um comboio americano a Cadouços, a feira de S. Bento, A Ouro, filmado em Lisboa, Marinha e saída do pessoal operário da Fábrica Confiança, fortemente inspirado num filme semelhante dos irmáos Lumière e simultâneamente o filme de maior significado histórico.

Filantropo, fazendo parte da elite cultural portuense, maçon e republicano, o seu nome é também incontornável na história portuguesa do século XX. Sob o ponto de vista político a cidade fervilhava, tendo como centros de debate os cafés e as Lojas maçónicas. Dos cafés, destacava-se o Lisbonense, mas também o Central, o Suiço da Praça ou o Guichard, os quais se assumiam também como locais de encontro da elite intelectual portuense e cuja importância social foi fundamental para a dinâmica da cidade na mudança de século. Republicano assumido, Aurélio Paz dos Reis esteve envolvido na revolta de 31 de Janeiro de 1891 vindo, por isso, a ser julgado em Conselho de Guerra e posteriormente absolvido. Desde cedo desenvolveu uma forte consciência de dever cívico, sendo essa característica que o leva a integrar a Associação de Protecção à Infância Desvalida, a ser sócio fundador da Associação Portuguesa do Asilo de S. João e a ser director do Ateneu Comercial. Vale a pena ver o documentário da RTP em http://www.rtp.pt/play/p2097/e218175/a-porta-da-historia

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