No Porto, Eyes wide open!, 100 anos de fotografia Leica

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Até 5 de fevereiro o Porto recebe na Galeria Municipal, nos jardins do Palácio de Cristal, Eyes wide open!, 100 anos de fotografia Leica, a exposição comemorativa dos 100 anos desta mítica marca alemã, que tem acompanhado gerações de fotógrafos em todo o mundo.

Dividida em 14 núcleos, a exposição apresenta não apenas um notável conjunto de imagens que fazem parte da História da Fotografia, como também nos presenteia com uma reflexão sobre a versatilidade do formato 35 mm e de como ele alterou profundamente a forma de fotografar, com consequências estéticas muito profundas. Reflexão que se estende ao plano ético ou politico, onde fotografar os outros ou fotografar num dado momento passou a ser comparável a uma opinião com consequência no todo social.

Dizíamos nós, em janeiro de 2014, num artigo deste blog e a propósito de uma entrevista de Sérgio B. Gomes a Michaem Koetzle, que a Leica “é uma máquina para sair à rua, não para fotografar em estúdio. Pequena, rápida, então com a inovação de possuir 36 fotogramas ela é também o espelho do pensar, do design e da tecnologia do período da Bauhaus e da criatividade das décadas de vinte e trinta com os movimentos modernista, surrealista, construtivista, entre outros, a marcarem posição. Interessante nesta entrevista é também a referência de Hans-Michael Koetzle ao aspeto da composição típica da Leica marcada pelos limites do fotograma, por oposição à composição mais formal do fotograma das Rolleiflex, concebido a partir do centro. Daí se dizer que a Leica foi feita para fotografar a distâncias muito curtas, com consequências nas ambiências conseguidas na Fotografia Humanista dos anos 50. O que Koetzle não diz é que o “espírito Leica”, e a Fotografia Humanista reflete isso, implicava um profundo respeito pelas pessoas. Era algo que não vinha com a máquina, é certo. Mesmo em instantâneos, como  de Cartier Bresson ou Robert Capa, não se vislumbra o lado voyeur que hoje muitas revistas de fotografia, videos e… porque não máquinas incentivam. Vemos essa diferença também nos fotógrafos portugueses, em Gérard Castello Lopes, Sena da Silva, Victor Palla, Costa Martins, Harrington Sena ou Silva Araújo”. Para quem vê hoje esta exposição aconselhamos vivamente reler a entrevista conduzida por Sérgio B. Gomes, publicada no jornal Público, em http://www.publico.pt/cultura/noticia/fotografia-portuguesa-em-grande-destaque-na-exposicao-que-celebra-os-100-anos-da-leica-1618514

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