Visualidade & Visão – Arte Portuguesa na Coleção Berardo

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Visualidade & Visão – Arte Portuguesa na Coleção Berardo, apresenta-se no Museu Berardo, em Lisboa, até 31 de dezembro do corrente ano. No sítio da internet do Museu Berardo, com um texto de Pedro Lapa, curador da exposição, refere-se que “esta exposição procura interrogar de que forma um regime da visualidade se implica numa perspetiva sobre o mundo. A modernidade construiu diversos entendimentos da perceção visual, que se revelaram cruciais no modo como foi pensado o visível. A procura de uma racionalização, capaz de definir a emergência de uma imagem, ocupou muitos dos seus projetos. A esse regime outros se vieram sobrepor neste novo século, em que a generalização do digital e o seu mapeamento global — dos lugares, das coisas e da vida — tem vindo a substituir-se ao próprio mundo através da sua virtualização, que o torna uma massa opaca, indiferenciada, se não mesmo invisível.

No entanto as práticas artísticas têm suscitado interrogações sobre estes regimes da imagem e as perspetivas políticas implicadas”.

Trata-se de uma exposição onde ressalta a variedade de propostas, sendo de destacar o trabalho de José Luís Neto que nos interroga sobre o papel do “negativo” e da imagem final, questionando-nos até que ponto o nosso “mundo de sombras” é real, algo que nos faz lembrar os escritos de Platão. Sendo um trabalho na linha de outros de José Luís Neto, que nos leva a prescindir da câmara fotográfica para produzir imagens fotográficas, e como tal, a questionar a fotografia enquanto prática tradicional, com isso abrindo-nos um leque de possibilidades criativas que merecem referência. José Luís Neto apresenta um conjunto de imagens impressas em jato de tinta, em grandes ampliações feitas a partir de digitalizações de negativos não foto-sensibilizados, por vezes quase monocromáticas, onde se tornam visíveis os elementos constituítivos da impressão ou as “imperfeições” dos meios usados. Coloca assim em questão a noção de visibilidade, não como por norma a concebemos tradicionalmente em fotografia, mas sob o ponto de vista filosófico, como uma utopia da construção da imagem.

Destaque ainda para Ângela Ferreira, de cujo trabalho apresentamos a imagem acima, e que resgata a memória de um período da história moçambicana, e ainda para Helena Almeida que apresenta um conjunto de 18 imagens, numa interessante sequência cinemática onde não detetamos princípio ou fim.

Depois de visitar esta exposição não perca a oportunidade de visitar algumas das obras fotográficas pertencentes à Coleção Berardo, e onde se destacam os nomes de Jeff Wall, Nan Goldin, Andreas Gursky, Cindy Sherman, Thomas Ruff ou o casal Becher.

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