ARCO – um balanço

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Terminou a ARCO Lisboa. Durante 4 dias, de 26 a 29 de maio, no vetusto edifício da Cordoaria Nacional, Lisboa respirou e viveu arte contemporânea. Registe-se a presença de 45 galerias nacionais e internacionais, com opções estéticas muito distintas e de um público curioso e interessado, que ultrapassou as expetativas, atingindo os 12 800 visitantes, segundo a organização. Não se esperavam ruturas estéticas, novidades de dimensão numa escala planetária, mas foi bom ver como a arte contemporânea chegou por outras vias das que estamos habituados a ver. Por outro lado, se outras vantagens não existissem, já poderíamos referir uma significativa adesão do público, o contato deste com a arte contemporânea e como tal um alargar de horizontes culturais e de tolerância, além da visualização de novas e diferentes propostas artísticas.

Um impulso como este também é positivo para artistas emergentes, pelo ambiente, pela mobilização de artistas, curadores e galeristas, e para a cidade, tornando-a referenciada pelos turistas que nos visitam, conferindo-lhe modernidade, dinamismo e cosmopolitismo acrescidas pela credibilidade que a ARCO garante.

Mas esta feira é também uma montra, ponto de encontro de artistas, colecionadores e curadores, nacionais e estrangeiros, à qual os artistas devem estar atentos. E parece que estes já interiorizaram essa necessidade a ver pela presença de muitos nos diversos stands ou pela forma como alguns se desdobravam em contatos e esclarecimentos.

No campo da fotografia há que destacar muitos e bons trabalhos, alguns a optarem pela imagem fotográfica “pura”, outros com outras opções. Algo que seria merecedor de reflexão seria a forma de apresentação das obras fotográficas, impecavelmente apresentadas e revelador de um importante profissionalismo das galerias e dos artistas, e as noções de escala. No primeiro caso verificamos que os artistas e galeristas portugueses sabem já o que fazer, no segundo, há uma clara adaptação às novas realidades da arte contemporânea, ainda num processo que passa por opções por parte dos artistas e por um trabalho paralelo que envolve a prática laboratorial. Neste âmbito, destaque para os trabalhos de Inês d’Orey e Paulo Nozolino, claramente alinhados com o que se faz de melhor em galeria. Mas a feira tinha, como se disse, muitas e boas propostas fotográficas. Paulo Nozolino (Quadrado Azul), Paulo Catrica e Inês d’Orey (Presença), Manuela Marques (Anne Barault), Helena Almeida (Mário Sequeira), Mónica de Miranda e Roland Ficher (Carlos Carvalho), Mário Macilau (Belo Galsterer), Per Barclay (Giorgio Persano) ou Wolfgang Tillmans (Juana de Aizpuru), entre outros.

De muito positivo, ainda que este aspeto possa ser melhorado e até com um cunho exclusivamente lisboeta, é a ARCO como motor de outras exposições ou conferências a decorrer na cidade. Foi para já o caso da exposição de António Cachola, de Matter Fictions no Museu Coleção Berardo, de Depois de André Cepeda no Museu do Chiado, de Kumkapi Carpets na Gulbenkian, ou ainda de outras exposições e iniciativas várias em diversas galerias da cidade. Há ainda que destacar já um vasto programa de acontecimentos culturais paralelos, bem expresso nos materiais de divulgação da feira, decorrente do esforço desenvolvido pela organização em “complementar” a própria feira. Referimos, por exemplo, o Programa Internacional de Colecionadores ou o Fórum, com interessantes temas de debate, e que podem ser um importante aspeto na formação de jovens artistas. Destaque para Ulrich Obrist e a sua conferência sobre a organização de exposições e novas formas de apresentação, uma lição de bem expor que interessa a todos os artistas, incluindo fotógrafos. Pena só que os editores, felizmente lembrados, tivessem ficado tão afastados do núcleo central da feira. Uma última palavra para a organização, onde há que destacar o profissionalismo, a simpatia, a qualidade dos materiais informativos entregues aos jornalistas e a disponibilidade.

Com a ARCO ganhou o público em geral, pela abertura à arte contemporânea, a cidade, por se ter tornado uma referência artística e social durante estes dias, e as galerias e artistas, pelas vendas e pelos contatos. A edição de 2017 já está a ser equacionada, na segunda quinzena de maio com um elemento de peso, Lisboa será Capital Ibero-America da Cultura 2017. António Lopes

Imagem Inês d’Orey (Galeria Presença)

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