O mais importante são as ideias, dizia Pedro Cláudio

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Deixamos aqui a transcrição parcial de dois artigos, um de Vítor Belanciano, publicado hoje no Público on-line e outra de Ana Soromenho, publicado também hoje no Expresso on-line, a propósito do falecimento de Pedro Claúdio.

Um dos mais importantes fotógrafos de moda e realizador de videoclipes do panorama português, Pedro Cláudio, morreu esta quinta-feira, aos 51 anos, de cancro. Desde os anos 1980 destacou-se em vários campos da imagem. Na fotografia de moda e de publicidade. Na produção de ensaios fotográficos para a imprensa. Na realização de videoclipes para músicos portugueses. E também em exposições e livros de fotografia.

A forma transversal e livre como olhava para a fotografia definia-o. Não se cingia ao circuito artístico, mas em tudo o que fazia existia uma forte marca autoral. “Ele pertenceu a uma geração que renovou o panorama da fotografia no meio editorial entre os anos 80 e os 90, e o que é interessante, olhando retrospectivamente, é que muitos deles sentiram necessidade de encontrar a sua área de desenvolvimento criativo no campo da arte, como aconteceu com o Daniel Blaufuks ou o João Tabarra”, contextualiza o professor e comissário de fotografia Sérgio Mah, para logo autonomizar o percurso de Pedro Cláudio dentro destas coordenadas. “No seu caso, o que lhe interessava era perceber as possibilidades de um trabalho criativo, de assinatura e de experimentação, mas dentro de uma lógica de trabalho comissariado, ligado ao meio editorial, ou à publicidade, ou à moda, e a partir daí ele construiu uma carreira absolutamente singular em Portugal. Não existe ninguém que tenha tido essa capacidade de renovação criativa e ao mesmo tempo de relação com as oportunidades de trabalho.”

Para ele, Pedro Claúdio não deve ser lembrado como fotógrafo de moda, “ainda que essa fosse uma marca que lhe estava muito colada”. Atravessou vários géneros de fotografia, desde a reportagem ao ensaio, ao retrato, à publicidade ou ao trabalho mais ligado ao design gráfico. “Explorou muitas áreas da imagem e nos últimos anos trabalhou muito no vídeo ligado à música, mas também na publicidade, tendo uma energia permanente de reinvenção.”

Em Março deste ano, em entrevista ao PÚBLICO, definia-se como um “criador de imagens”, dizendo que “a fotografia de moda não existe, a moda é que utiliza a fotografia”. Já em 1999, também ao PÚBLICO, resumia: “Considero-me um fotógrafo, que também faz fotografia de moda.” Adiantava então que preferia ser visto como director artístico, por olhar a fotografia apenas como um meio, tal como o vídeo ou o design gráfico, que também praticava. “O mais importante são as ideias”, concluía.

Pedro Cláudio era alguém que privilegiava a liberdade criativa, independentemente do contexto onde operasse e dos materiais que manipulasse. Em catálogos de artigos de design, na moda, em ensaios fotográficos para publicações ou em instalações-vídeo, criava novos sentidos por associação de imagens, intercalando objectos ou pessoas com figuras da natureza, numa encenação que desviava o trabalho do seu flanco mais funcional para o transportar a um universo artístico”.

Do Expresso on-line destacamos as palavras de Sérgio Mah, que afirma que Pedro Claúdio “Fez trabalhos incríveis de moda, de vídeo. Era um camaleão na forma como utilizava a linguagem das imagens, porque tinha uma energia fantástica e excecional. Acredito que teria voado muito longe se tivesse sido fotógrafo em Nova Iorque”.

Pedro Cláudio fez parte dessa geração criativa e fulgurante de fotógrafos que nos anos oitenta lideraram a cultura das imagens que acompanharam a revolução editorial operada em Portugal. Tal como Inês Gonçalves, Álvaro Rosendo e Daniel Blaufuks, Pedro Cláudio começou a publicar trabalhos no semanário “Independente”, passou pela revista “K”, cresceu como fotógrafo de moda nas revistas “Elle” e “Marie Claire” e afinou-se na elaboração de catálogos que acompanhavam as criações dos “novos” estilistas: Nuno Gama, José António Tenente, Filipe Faísca, Mário Matos Ribeiro…”

Estes artigos podem ser lidos na íntegra em https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-pedro-claudio-um-fotografo-livre-e-transversal-1729724

e em http://expresso.sapo.pt/cultura/2016-04-21-Pedro-Claudio-um-camaleao-de-energia-excecional

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