Bienal de Vila Franca de Xira – um programa ambicioso num formato renovado

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Foi hoje apresentada no Museu do Neorealismo, em Vila Franca de Xira, a Bienal de Fotografia 2016, que este ano celebra os seus 27 anos de existência.

Mudanças significativas ocorrem nesta edição, cujas candidaturas abrem já amanhã. E para melhor. A Bienal abandona definitivamente o seu formato de concurso clássico, as escolas e entidades deixam de ter autores com representação garantida, o que embora tenha sido um suporte das últimas edições, se mostrava um modelo já gasto, por vezes a roçar a obrigação, e claramente aproxima-se da dinâmica de outros festivais, quer no método de seleção, quer na forma de se relacionar com a cidade. Tudo isto vai obrigar a níveis de exigência muito superiores: dos fotógrafos, das entidades anteriormente ligadas à Bienal, da organização.

O reforço da ligação da Bienal à cidade expressa-se pela presença de inúmeros valores da fotografia portuguesa no período da Bienal, pela utilização de diversos espaços até aqui longe dos desígnios da Bienal e pelo envolvimento de um maior número de parceiros. O objetivo que se pretende é que o público questione a fotografia e a cidade, fazendo as pessoas pensar na fotografia, o que tem subjacente um propósito cultural e pedagógico acrescentado. O programa curatorial proposto é ambicioso, decorrendo 15 de outubro de 2016 a 29 de janeiro de 2017 e tendo como mote Arquivo e Observação. Nele há uma opção clara pela qualidade e por uma linguagem contemporânea. Note-se, no entanto, que apesar desta opção por um discurso contemporâneo na linguagem das propostas artísticas agendadas, há uma preocupação de juntar nesse período artistas de várias gerações e com diferentes percursos. Exemplo disso são os nomes de Daniel Blaufucks, José Maçãs de Carvalho, António Júlio Duarte, Fernando Lemos, José Pedro Cortes, Patrícia Almeida, Nuno Cera, Catarina Botelho, João Tabarra, Vítor Pomar ou Júlia Ventura, entre outros. É ainda de destacar, para além da curadoria geral, da responsabilidade de David Santos, a presença de curadores convidados: Margarida Mendes e Bruno Leitão, e de um Conselho de Curadores para o Prémio Bienal de Fotografia: Emília Tavares, Filipa Valladares, Pedro Alfacinha e Sérgio B. Gomes.

Em termos do Prémio da Bienal, cuja exposição decorre de 19 de novembro de 2016 a 8 de janeiro de 2017, as candidaturas são feitas através da apresentação de um portfólio, entregue até 13 de maio próximo, com um máximo de 50 imagens e de tema livre. Um Conselho de Curadores irá selecionar as 10 melhores propostas até maio. Passam a ser autonomizados, quer na candidatura, quer na exposição, os portfólios concorrentes aos Prémios tauromaquia e Concelho de Vila Franca de Xira. Os candidatos, além do portfólio e dos materiais de inscrição, têm de entregar um texto com o conceito, num processo que pressupõe uma maior intervenção dos autores perante os curadores e a organização.

A todas estas mudanças não é alheia uma renovada vontade por parte da autarquia e o papel de David Santos, curador geral da Bienal. E se há uns anos muitos se sentiram desapontados porque se prometeram mudanças que não se concretizaram, por motivos diversos e onde o mais significativo foi o facto de David Santos ter assumido a direção do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, agora a Bienal parece assumir o caminho irreversível de se tornar um evento de referencia, onde a imagem é vista com um sentido de contemporaneidade. Mas como atrás se disse, a exigência vai ser maior. O país ficará com dois grandes eventos na área da fotografia: um a norte, os Encontros da Imagem em Braga e a Bienal de Vila Franca, às portas de Lisboa. A fotografia portuguesa só tem a ganhar com isso! António Lopes

Para ver mais informações sobre a Bienal consulte o site oficial http://bf16.cm-vfxira.pt/

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