Oportunidades – a vida de um fotógrafo

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Poderíamos pensar que este era o título de uma qualquer livro ou filme, mas não, é (ou deve ser) o dia a dia de um fotógrafo. Passeando na Internet deparamo-nos com dezenas de iniciativas de aceitação de portfólios e projetos para as mais variadas instituições.

Temos divulgado inúmeras destas iniciativas em partilha no Facebook. Começámos agora a faze-lo também no site, já que muitos dos nossos leitores nestes dois canais são diferentes e com a secreta esperança que se comecem a ver mais nomes portugueses nessas montras de fotografia que são os Festivais, com um conceito que nada tem a ver com Concursos e afins, que também têm o seu lugar no mundo da fotografia.

Mas chamamos á atenção para as “Open Calls” publicadas por instituições, como museus, associações, galerias ou fundações. Constituem hoje uma das melhores formas de cada fotógrafo divulgar a sua existência, circular no meio fotográfico e projetar a sua cotação internacional. É claro que é preciso ter um projeto, desenvolvido com coerência estética, e mais, hoje pede-se um portfólio, que é preciso desenvolver, organizar e selecionar, um texto com o conceito do projeto, que é necessário pensar e saber exprimir, não poucas vezes escrito em duas línguas, por norma também uma biografia e um curriculum. É verdade que muito se discute se um texto explicativo faz sentido ou não. Em nosso entender sim, porque serve para contextualizar o projeto, não para o justificar, note-se. E quer concordemos ou não com a sua existência, a verdade é que ele hoje é frequentemente solicitado.

Ou seja, um fotografo hoje, tem inúmeras oportunidades para se projetar, mesmo além fronteiras, se é que elas existem num mundo que tem de ser pensado à escala global. Estranho que quando se vêm iniciativas destas em todo o mundo tão poucos nomes se escrevam em português, com honrosas exceções que todos já conhecemos. É uma questão de método de trabalho, talvez, de falta de cosmopolitismo, eventualmente, de menos treinada criatividade e de medo de arriscar, provavelmente, mas quase de certeza de maus hábitos de décadas de isolamento que já deveriam ter sido ultrapassadas. As fronteiras políticas dos países não são um impedimento à circulação da arte. Por nós, vamos continuando a divulgar essas iniciativas, na secreta esperança de que isso seja um contributo para a projeção dos fotógrafos portugueses neste mundo cada vez mais pequeno. António Lopes

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