Intervalos da Matéria, em Lisboa

Captura de tela 2015-11-10 às 13.12.44

Inaugura hoje, pelas 18 horas, a exposição Intervalos da Matéria, uma coletiva dos alunos do Curso Profissional da APAF referente ao ano letivo de 2014/2015. Estão presentes trabalhos de Alexandra Garção, Carlos Araújo, Céu Batista, Luís Teixeira, Mário Chefe Sirgado, Nastiya Hladly, Paula Alves e Pedro Almeida, a exposição estará patente ao público até dia 25 de novembro, na Associação 25 de Abril, ao Chiado, em Lisboa. Apresentamos hoje aqui imagens de Ceú Batista, Carlos Araújo e Mário Chefe Sirgado, presentes na exposição e ainda o texto de apresentação da exposição.

Captura de tela 2015-11-10 às 13.22.25

Fazer fotografia, numa semelhança com a pintura, a escultura ou outras formas de expressão artística, é muito mais do que o virtuosismo técnico. Seríamos excelentes imitadores se nos restringíssemos à técnica não sendo, por isso, de esquecer que a criação artística tem uma componente de criatividade, de inovação e de sentir a alma das pessoas, dos espaços e das coisas. É compreendê-los na sua plenitude e é também desfrutá-los num olhar simultaneamente crítico, de comprovação do momento e contemplativo. É a materialização dialética entre o mundo da criação e o desfrutar da imagem por cada um que a vê, que nos envolve e faz pensar. Por isso também não chega ser virtuoso.

Intervalos da Matéria sugere-nos algo de descontínuo, da não existência entre duas coisas que existem. Mas será que esses intervalos nada têm?

Quando vemos estas imagens sentimos que esses intervalos são preenchidos. Sentimos que existiu um olhar atento, feito de opinião crítica, que nos conduziu a um imaginário íntimo. Por preconceito, a fotografia comporta uma presunção da realidade, que os tempos modernos da manipulação digital ainda não destruiu por completo no nosso subconsciente. Daí o sermos transportados para uma outra realidade que nos leva a sentirmos os locais e objetos, mesmo que saibamos que o que vemos constitui uma opção redutora de uma dada realidade.

Se é verdade que os neurocientistas identificaram estes “intervalos da matéria” como tendo um papel determinante no controle rápido do nosso comportamento ou na compreensão dos factos, a verdade é que, fotograficamente, eles nos levam para um mundo irreal, cuja compreensão depende da nossa sensibilidade, da nossa imaginação, do nosso sentir. Em todos os trabalhos dos fotógrafos aqui presentes somos transportados para uma realidade que nos envolve de forma inebriante. É essa a grande virtude destas imagens, onde a escala cromática e as opções técnicas e estéticas no momento da execução se tornam as principais razões desses sentimentos.

É verdade que o percurso artístico destes fotógrafos só agora começou. Mas se há alguma coisa que deixa satisfeitos todos os que viveram estes projetos, é o facto de terem nascido novos fotógrafos, alguns já com a maturidade suficiente para percorrerem sozinhos o seu caminho, hoje artistas que têm pela frente o seu trabalho de autor, a ser apresentado em galerias ou coleções e isso traz a todos nós uma alegria imensa! 

Captura de tela 2015-11-10 às 13.13.38

Esta entrada foi publicada em Notícias. ligação permanente.