Convergências n’A Pequena Galeria

Captura de tela 2015-10-19 às 14.07.55

N’A Pequena Galeria inaugura no próximo dia 22, sexta feira, Convergências, de Luís Pereira.

Àcerca desta exposição diz-nos o autor que “por definição meteorológica, “zona de convergência” é uma zona do globo onde duas ou mais correntes de ar confluem e interagem”.

Uma dessas zonas, a Intertropical , ocupa geograficamente  toda uma faixa do globo terrestre situada entre os trópicos de Câncer e de Capricórneo com o Equador como linha equidistante e de referência . Circundando toda a Terra e é onde os ventos alíseos do hemisfério norte se encontram com os do hemisfério sul , formando uma faixa de massas irregulares, de ar de baixa pressão ascendente, correntes de ar quente e húmido que confluem nessa região do planeta.

Quem traçar uma rota de viagem de norte para sul ou de sul para norte dos trópicos, ou à sua latitude, tem pois de contar com esta zona de instabilidade , de grandes ventos , perigosas e poderosas formações nebulosas ou com iguais e prolongadas calmarias .
Do ponto de vista humano e criativo é também ela uma região do globo em permanente ebulição, e com a globalização , uma imensa Zona Tórrida , outra sua designação, onde se fundem culturas e tendências , num cadinho criativo permanentemente mantido a uma temperatura constante , com chuvas frequentes , e, assim , tão exuberante como as suas florestas nativas e paraísos ainda intocáveis, ou em concentrado crescendo sob a forma de gigantescos aglomerados de betão.

É um olhar sobre uma rota fictícia, porém bem real – hoje mantida diáriamente  pela aviação comercial –  que, no nosso imaginário de marinheiros, com um pé na terra,  tantas vezes partiu por mar, desde o Tejo e desaguou para cá e para lá do Amazonas , de outros rios mais ao sul da América, ou até aos que se fundem noutros oceanos como o Indico , ou ainda na rota oposta mergulhando no Pacífico , que fotografei , com imagens actuais na maioria , mas indo em alguns casos pontuais até mais atrás, ao “tempo do analógico” em busca de mutações, que nalguns casos têm tanto de fulgurantes como de efémeras , tal como os ciclos económicos impostos ou os regimes instalados nos países dessa região.
Porém, poderia não o ter sido, tais os contrastes e as realidades do presente, realidades essas cada vez mais cavadas e extremadas, e que, num só dia e bastando percorrer por terra escassos graus de latitude ou longitude, nos levam do marasmo absoluto, ao turbilhão da mais avassaladora e perfeita das tempestades .

E não é só em termos climáticos que vamos incrementando esses fenómenos num sistema que é dinâmico e composto por pequenos detalhes mas que se potencia no bater de asas de uma borboleta.

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