Da fotografia, da Cultura e das eleições

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Há dias, com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística, alguma imprensa referia que a atividade cultural no nosso país emprega perto de 89 000 pessoas, correspondentes a 2% do emprego. As atividades culturais, às quais poderíamos se quisermos ir mais longe e juntarmos o lazer, com a hotelaria e a restauração, a produção audiovisual, ou a mobilidade, ou outras atividades direta ou indiretamente relacionadas com a Cultura, têm para a economia um contributo médio de 2,7 milhões de euros/ano, bem acima de outros sectores produtivos. Assim, em período de eleições, seria de esperar um olhar para a Cultura por parte dos partidos e dos actores políticos, bem mais profundo que breves encontros, juras de amor ou discursos vazios para televisão ver.

Quando vemos as visitas partidárias, as declarações ou, mais grave, os programas eleitorais, vemos o interesse que esta àrea gera. Fala-se de divída, de Segurança Social, de coisas que interessam, mas de Cultura, que também interessa, fala-se pouco,… muito pouco. Já não discuto se temos Ministério ou Secretaria de Estado. Já não discuto se gostaria de ter um governo com cultura ou de cultura. Já não discuto se há ou não apoios. O que gostava de ver era uma ideia estruturante para a Cultura. O que gostava de ver eram quais as linhas estruturantes para o sector, como se articulam os diferentes serviços, como se recupera ou preserva o nosso património, o que fazer para internacionalizar os artistas e a cultura portuguesa de forma sustentada, de como conjugar a cultura com a inovação, a indústria e a economia em geral. Gostava de ver uma preocupação com a preservação do património edificado, ou simplesmente do património imaterial, para além das lutas épicas conseguidas nos últimos anos. Se não for pedir muito, de como levar a cultura às pessoas e de que forma apostar nas novas gerações, com tantas consequências que tais apostas têm na iletracia e na vida laboral e cívica. E já que estamos em maré de peditório, colocar esssas ideias nos programas eleitorais e discuti-las. Dia 4 irei cumprir o meu dever cívico. Mas como eu gostava que a cultura dos agentes politicos do meu país fosse outra! António Lopes

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