Na Carpe Diem, este fim de semana

Decorreu este fim de semana intensa atividade fotográfica na Carpe Diem. E valeu a pena. Em ambiente descontraído ali decorreu uma “Leitura de Portfólios” e se realizou uma “Feira de Edições”, com obras que normalmente não se encontram nos circuitos das livrarias, exceção feita à STET-Livros e Fotografias. Mas, para além da “Feira de Edições”, também se falou da edição própriamente dita, quer por editores, quer por fotógrafos, o que constituiu uma mais valia para todos os presentes, debates onde se refletiu sobre a ordenação das imagens num livro, sobre os custos da edição, sobre formas alternativas de edição, tiragens, problemas de distribuição, custos e muitos outros aspetos que interessam a quem se dedica à fotografia.

Outro dos pontos de referência neste fim de semana fotográfico foi a apresentação do Entre Imagens pelos autores da série, explicando o porquê das suas opções de realização televisiva, o que se revelou bastante interessante para compreender o todo da série, os seus denominadores comuns, a leitura geral pretendida e a abordagem subjacente à obra dos autores. Nesta conversa, Pedro Macedo e Sérgio Mah sublinharam a diversidade de olhares presentes na série e, principalmente, o facto de os artistas escolhidos se distinguirem pelo seu pensamento sobre a imagem, algo que, enquanto autores da série, valorizaram em detrimento da produção  fotográfica propriamente dita de cada um deles.

No domingo destaque para as “Conversas” com António Júlio Duarte e João Tabarra que falaram sobre a sua obra. O primeiro, falando-nos das suas imagens e de uma relação muito íntima com elas, da necessidade de editar como atitude, o segundo levando-nos a questionar as imagens no seu sentido de escala e de conteúdo político e social. Bom conversador, Tabarra brindou os presentes com aspetos que mereceriam maior discussão, como o questionar de algumas certezas: por vezes quando se opina sobre uma exposição, uma obra e se desconhece o contexto da produção ou o artista e a sua personalidade ou a sua cultura estamos a amputar a compreensão de uma parte significativa dessa mesma obra, quando mesmo não estamos a compreendê-la de todo. Uma palavra aqui para a organização de Daniel Blaufucks e para as suas intervenções, que ajudaram a motivar o debate e a reflexão, e que foram uma mais valia para todos os presentes.

Resta acrescentar que os alunos do Curso Profissional da APAF, por sua iniciativa, integraram no seu plano de aulas estas atividades. E outros, de outros cursos também marcaram presença, nomeadamente do nosso Curso Avançado. A Carpe Diem está, pois, de parabéns. António Lopes

Esta entrada foi publicada em Opinião. ligação permanente.