Brejo, de Tânia Cadima, até

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Termina amanhã na FNAC Colombo, em Lisboa, a exposição Brejo, de Tânia Cadima, vencedora dos Novos Talentos FNAC Fotografia 2013. Se ainda não visitou, tente dar um salto à FNAC e verá que vale a pena ver uma exposição que tem muito de um sentir pessoal, onde se vislumbra um misto de melancolia e saudade, traduzidos na forma de fotografar, nos enquadramentos e no foco suave ou mesmo no arrastamento, como se de um momento longínquo se tratasse. As sombras carregadas e o grão, são outros recursos de que a autora se socorre para sublinhar essa mensagem onírica e subjetiva de um tempo passado e difuso. Aliás é de sublinhar o excelente trabalho de luz e a boa relação compositiva luz/sombra (p. ex. a imagem do chapéu de palha), que por vezes nos remete para o universo da pintura. Aliás a fotógrafa oscila entre um olhar exclusivamente fotográfico e algumas influências externas à fotografia, mas que a enriquecem (a imagem do cotovelo na porta ou a que publicamos, são disso exemplo).

Por isso é um trabalho muito reflexivo, como de resto assinalou o júri do prémio. E sendo tão subjetivo, porque privado e porque eivado de sentimentos, não deixa paradoxalmente de ser um registo documental com uma origem bem real, um lugar e um momento, que a autora conheceu e ao qual tenta regressar numa tentativa de manipular o tempo e quem sabe compreender as interrogações faz de si própria. Talvez a imagem onde a autora se retrata num espelho seja a mais significativa desta interpretação, assim como a procura/identificação de recantos do espaço e desse passado. Interrogamo-nos se esta, no entanto, seria a escala ideal para contar uma história tão íntima, o que é já um velho problema nos Prémios FNAC.

Mas Brejo é ainda muito mais em termos psicológicos e isso faz a riqueza deste trabalho. Margarida Medeiros lembra-nos que “com esta série de fotografias a autora convoca as possibilidades mais arcaicas da fotografia na sua vocação para a memória e para se constituir como mediação entre o sujeito e o mundo (…)”. O que num trabalho fotográfico é muito. Se ainda não viu, verá que vale a pena. António Lopes

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