PHE13 – Corpo. Eros e política

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Subordinado ao tema Corpo. Eros e politica a PhotoEspaña 2013 – PHE13 – reuniu mais de 70 exposições e dezenas de outros eventos paralelos – concursos, palestras e workshops.  Em regra localizados no centro de Madrid, este ano a PHE13 estende-se a áreas como Cuenca, Zaragoza ou mesmo Praga, na República Checa. As exposições surgem tanto em espaços públicos como em pequenas galerias, fazendo com que a sua visita se torne num passeio pela cidade, permitindo também ganhar uma nova perspectiva sobre Madrid; de mapa na mão vão-se descobrindo ruelas e recantos que não estão certamente incluídas nos mais comuns roteiros turísticos.

O corpo humano é o elemento unificador de todas as exposições, mas a diversidade de abordagens a este tema surpreendem pela sua controvérsia e antagonismo. E se a sensualidade está muito associada ao corpo e às imagens de nus, como são patentes nas imagens dos trabalhos de Frantisek Drtikol – Desnudos modernistas, 1923-1929, ou de Robert Mapplethorpe, muitas são as exposições que mostram o corpo humano como um manifesto contra a segregação de géneros, etnias, orientação sexual e qualquer outra forma de discriminação. Excelentes exemplos deste manifesto são as exposições Humanae – Work in progress de Angelica Dass patente na Galeria Max Estella, e Mujer – La vanguardia feminista de los años 70, um projeto coletivo patente no Circullo de Bellas Artes.

O projeto desenvolvido por Angela Dass pretende provocar o observador a integrar-se no que é um continuo cromático da pele humana, independentemente da sua nacionalidade, idade, estatuto social, religião ou padrões estéticos. Os retratados são todos voluntários, e não são sujeitos a qualquer seleção prévia. Os resultados são apresentados num mosaico de retratos, em que o fundo de cada imagem foi preenchido com uma tonalidade idêntica à da face do voluntário, sendo esta tonalidade associada à respetiva classificação na escala pantone. O mosaico final não segue qualquer organização cromática, aliás o objetivo é o oposto – procura-se diluir a falsa pretensão de superioridade de algumas tonalidades de pele sobre as outras.

A exposição Mujer foi pela primeira vez apresentada em Roma em 2010, e baseia-se no espólio da coleção Sammlung Verbund, que desde 1970 reúne trabalhos de artistas contemporâneos, com particular interesse pela fotografia e vídeo. Esta exposição engloba o trabalho de 21 artistas que durante as últimas quatro décadas revelaram uma nova identidade feminina, muitas vezes através do autoretrato, criando imagens provocantes, radicais, críticas e muito irónicas. Entre as autoras encontra-se nomes sonantes da arte feminista avant-garde como Cindy Sherman, Helena Almeida, Birgit Jürgenssen ou Hannah Wilke. Desta última autora podemos ver parte de vários dos seus projetos de auto-retrato incluindo SOS – Starification Object, onde a autora surge em poses provocadoras com o corpo coberto por pequenas esculturas de vulvas feitas de pastilha-elástica, num trabalho que combina sensualidade e humor, com um rigor fotográfico excecional. Também notável é o seu trabalho em Intra-Venus onde o observador é confrontado com imagens que mostram a luta contra o cancro e a evolução do corpo da autora desde “a felicidade da meia idade até à degradação e resignação”. Ana Rainho

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