Galápagos

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Até 7 de julho pode ver Galápagos no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Território de piratas, nos séculos XVI e XVII, local de referência na caça à baleia, nos séculos XVIII e XIX, as Galápagos remetem-nos para um imaginário de natureza e sonho que, em grande parte, se deve ao papel inspirador de Darwin e da sua teoria da evolução. Ao mesmo tempo, que cada um de nós cria uma visão imaginária das ilhas, estas mostram-se como um laboratório vivo de como funciona o mundo natural, numa relação estreita de  interdependência entre a geologia, a botânica, a terra e a vida marinha e, de qual o impacto da ação do Homem sobre estes elementos.

O arquipélago é famoso pela sua construção física – as ilhas emergiram de vulcões e, ao longo de milénios, deslocaram-se lentamente por uma falha através do leito oceânico. Ao longo dos últimos quatro ou cinco milhões de anos, as formas de vida de plantas e de animais encontraram o seu caminho para as Galápagos vindas do continente sul-americano ou de paragens ainda mais longínquas.

Esta exposição, com curadoria de Bergit Arends e Greg Hilty, resulta de um programa de residências artísticas nas ilhas Galápagos que durou cinco anos. Doze artistas – Jyll Bradley, Paulo Catrica, Filipa César, Marcus Coates, Dorothy Cross (com Fiona Shaw), Alexis Deacon, Jeremy Deller, Tania Covats, Kaffe Matthews, Semiconductor (Ruth Jarman e Joe Gerhardt) e Alison Turnbull – foram convidados a interagir com as comunidades locais estabelecendo relações entre a arte, a ciência, a natureza e a política. Organizada pela Fundação Gulbenkian, a mostra foi já apresentada na Bluecoat (Liverpool) e na Fruitmarket Gallery (Edimburgo).

O Programa Residência Artística Gulbenkian nas Galápagos partiu de duas premissas estruturantes: os humanos são consumidores e participantes ativos do mundo natural e a arte é um comportamento humano central. Ali podemos ver diferentes olhares sobre as Galápagos, com algumas fotografias que apesar de não terem pessoas são profundamente humanizadas, outras provando que a ciência é compaginável com a arte, outras ainda lembrando-nos que a componente social se integra num todo que são as ilhas. Exemplo disso é a opção de Paulo Catrica e de Marcus Coates de priviligiarem a relação das pessoas com a natureza, enquanto Alison Turnbull olha apenas para as coisas da natureza, ou Dorothy Cross sublinha o lado simbólico. Esta é uma exposição que, além dos registos que permitiu, abre horizontes.

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