As Idades do Mar

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Vale a pena visitar, até 27 de janeiro, As Idades do Mar, exposição de pintura patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. É uma exposição importante para qualquer fotógrafo, primeiro pela formação cultural e em História de Arte, depois pela educação estética e do olhar e depois porque ali também se aprende muito de fotografia.

Comissariada por João Castel-Branco, esta exposição reúne  86 artistas e mais de uma centena de obras que têm por tema comum o mar. Oriundas de diversos museus nacionais e estrangeiros, as obras apresentadas constituem referências incontornáveis na História da Arte ocidental. Destaque para a organização clara, para o wall text elucidativo e para as legendas informativas e pedagógicas. Um bom desdobrável acompanha a exposição e um interessante catálogo, com um preço infelizmente pouco convidativo, completam a oferta.

A exposição, organizada por blocos, com uma iluminação diferenciada, permite-nos usufruir da emoção, da melancolia ou da alegria que cada um dos artistas nos tenta transmitir nas suas obras.

Ali conseguimos viver os mares agitados, viver o assombro ou o pavor que cada um dos artistas nos tenta transmitir por exemplo em Idade das Tormentas, o que nos motiva para reflexões éticas e políticas baseadas na perda individual ou coletiva.

Quando passamos pelo conjunto da Idade do Poder não podemos deixar de salientar a importância dos cenários, onde poderosas armadas tanto podem servir para sublinhar o poder politico dos Estados, como para servir de mote a conceções de caratér religioso ou moral. E algo para não esquecermos na fotografia, onde o cenário é tantas vezes desprezado em detrimento do assunto principal.

Dos artistas expostos e particularmente para os fotógrafos, é importante a reflexão sobre as relações claro/escuro ou a composição em William Turner (1775-1851). Dê-se também atenção ao trabalho de William Bradford (1823-1892), artista norte-americano que articulou a fotografia com a pintura, bem expresso no frequente recurso à máquina fotográfica e ao seu gosto pela exatidão e pelo grandioso. Junte-se também a dimensão social presente em Jean Pillement (1728-1808), as pinceladas de luz que Claude Monet (1840-1926) nos transmite no seu Hotel des Roches noires, ou na magnífica vista da Praia das Maçãs, datada de 1918, da autoria de José Malhoa (1855-1933) e onde se salienta uma luz vibrante que causa inveja a qualquer fotógrafo. António Lopes

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