Impressão II

Até ao próximo dia 12, sábado, está patente no Arquivo Municipal de Lisboa a exposição Impressão II. Trata-se de uma pequena mas interessante exposição, educativa para muitos dos que se interessam pela fotografia e que mostra que esta vai muito para além das curtas fronteiras do digital. Estes processos fotográficos, vulgarmente designados de “processos alterativos”, oferecem um vasto campo de experimentação técnica e estética, que aqui vemos abordados, ainda que de forma incipiente, principalmente no domínio estético.

Destaque, no entanto, para a atitude experimental dos trabalhos expostos. Destes, podemos salientar Malus reliquiae, de Mariana Marote, (fotograma solar. Cianotipo e Anbotipo sobre papel de aguarela) que se destaca pela conceção e pela apresentação e montagem), numa mistura entre o processo químico e a ação dos fenómenos da natureza e do tempo. Também interessante é a série Instrumentos, de Inês Velêz (impressão Castanho Van Dyck sobre papel) que, recorrendo a um formalismo no registo e na impressão nos faz lembrar algumas imagens de finais do século XIX. Recorde-se que este processo apareceu em 1889, tornando-se popular numa época já tardia do romantismo e podia apresentar-se nos tons de castanho ou de sépia, tendo recebido este nome por ser associado aos tons de castanho do pintor flamengo Anton van Dyck. Pena é a não uniformidade técnica do trabalho de Rute Andrade Coelho, Ensaio sobre a paisagem (fotograma solar. Cianótipo sobre papel de aguarela) e a má escolha da apresentação. Também o trabalho de Ana Viotti, Forças Invisíveis, poderia ganhar uma maior presença visual se fosse mais cuidado na apresentação e sendo esta mais adequada às dimensões e à estética do trabalho. Na realidade a impressão em goma bicromatada é uma técnica com claras pontes com a pintura e permite um conjunto de linguagens contemporâneas a explorar. Caminhar nesse sentido e depois “apertar” o resultado final numa moldura como aquela desvaloriza a própria imagem. Não que não se pudesse recorrer a essa forma de apresentação, mas com outras dimensões a fim de a imagem “respirar”. António Lopes

Esta entrada foi publicada em Crítica. ligação permanente.